PaaS está ganhando boa musculatura com cloud e mobilidade

Os gastos com cloud computing crescem acima da média de TI, segundo aponta o instituto de pesquisas Gartner. A expectativa é que a computação em nuvem salte 19% neste ano, em todo o mundo, tornando-se uma indústria de 109 bilhões de dólares.

Ed Anderson, analista de cloud do Gartner, diz que a estimativa é bastante animadora, comparada com os 91 bilhões de dólares registrados no ano passado nesse mercado. E mais: podendo chegar, globalmente, a 207 bilhões de dólares em 2016.

A nuvem, de fato, impactou a forma de entregar serviços de TI. Anderson destaca que o desenho de venda tradicional de licença, que realiza a implementação da aplicação on premise (dentro da empresa), está mudando para o modelo de software como serviço (SaaS), adotado na nuvem. Enquanto isso, o investimento com hardware está saindo da prática on premise para o off premise (remoto).

A verdade é que cloud computing já não se trata mais de um conceito nebuloso. Circula com facilidade em ambientes corporativos de variados portes, incluindo pequenas e médias empresas, de diferentes segmentos, que já desfrutam dos benefícios da trinca de modalidades que compõe a nuvem: SaaS, infraestrutura como serviço (IaaS) e plataforma como serviço (PaaS). As duas primeiras são as mais populares e a última ganha músculos a cada ano e promete aquecer as ofertas.

Mais sofisticada, a modalidade PaaS requer não somente um modelo comercial mais complexo, mas também evangelização, na avaliação de consultores. De acordo com Luciano Condé, gerente de produtos Azure, da Microsoft, a empresa sempre contribuiu para a disseminação dessa cultura, visto criar suas soluções vislumbrando o conceito de plataforma, justo para que os usuários pudessem se tornar desenvolvedores. E na modalidade PaaS, o dono da festa é o Windows Azure. “Ele é apoiado em nossos data centers em todo o mundo. Na verdade, trata-se de um conjunto de serviços que as empresas e desenvolvedores usam para construir suas soluções de negócios.”

Condé lembra que a Microsoft lançou o Windows Azure na modalidade PaaS em outubro de 2008, indo contra a maré do mercado, que estava sendo levada na época pelos encantos do SaaS e do IaaS. “Descobrimos um nicho importante, porque o PaaS viabiliza o desenvolvimento para todos os portes de empresa”, diz e acrescenta que o Azure proporciona a criação de diferentes tipos de aplicações de nicho. “Ele foi a plataforma de desenvolvimento da solução de vendas de ingressos do último Rock in Rio”, orgulha-se.

Os ISVs são grandes protagonistas desse cenário, destaca Condé. “Na primeira onda de adoção do Azure, foram os que mais nos procuraram.” Mas na Microsoft, os desenvolvedores independentes têm outra denominação. São chamados de Cloud Service Vendor (CSV).

No Brasil, a empresa mantém um time, composto por 20 profissionais, suportando a adoção do Azure, que auxilia diretamente os CSVs, com apoio, suporte e acompanhamento, orientando como adotar. “Criamos ainda um programa de aceleração de adoção do nosso PaaS, que tem ajudado muito desenvolvedores e startups de desenvolvimento de software. Treinamos e esclarecemos como funciona a tecnologia”, diz, certo de que ao estimular e facilitar o desenvolvimento também contribui para impulsionar o empreendedorismo.

Com o objetivo de tornar mais claro o conceito, a Microsoft atua também por meio dos seus centros de inovação e em universidades. Apresentando e ensinando modelos de negócios e tecnológicos dos produtos Microsoft, incluindo a plataforma como serviço, segundo Condé.

“Na minha avaliação, nuvem ainda necessita de evangelização e estamos auxiliando nesse processo. Acredito que PaaS está ganhando boa musculatura. Afinal, as empresas estão preocupadas em construir uma nova geração de aplicações como comércio na nuvem, mobilidade etc. Por esse motivo, reorganizamos nosso modelo comercial”, afirma.

Para o pequeno desenvolvedor, a Microsoft oferece um pacote no site, que pode ser montado com facilidade, segundo a empresa, e conta ainda com material para ajudar na adoção. Para configurações mais complexas, poderá ser solicitado apoio do time especializado, que irá até o cliente.

Outra empresa com forte atuação no segmento é a Salesforce.com, um dos grandes nomes de PaaS, com DNA genuinamente em cloud. Enrique Perezyera, presidente da Salesforce.com para a América Latina, lembra que a história da companhia está intimamente ligada à nuvem. Marc Benioff, chairman e CEO da organização, quando era executivo da Oracle, não entendia porque os clientes investiam milhões em software, hardware e consultoria para solucionar desafios do passado ao final da implementação. Por essa razão, decidiu apostar em algo mais prático, viável e ágil: a nuvem.

De 1999 para cá, conquistou mais de 100 mil usuários da solução Salesforce.com em todo o mundo. Com ela, os clientes potencializam a força de vendas, a partir de data centers em San José, Virgínia e São Francisco, nos Estados Unidos, e outro em Tóquio, no Japão. Entre os usuários, 3 mil estão na América Latina, sendo 1,5 mil no Brasil. Perezyera explica que todos eles utilizam o Force.com, plataforma baseada em nuvem para desenvolver aplicativos sociais e móveis, já que ela está integrada à oferta Salesforce.com. “Mais de 250 mil aplicativos foram criados pelas companhias a partir do Force.com”, contabiliza o executivo.

O Facebook é um dos maiores clientes. “A rede social roda 700 mil aplicações desenvolvidas com base no Force.com na nuvem da Heroku, criadora de aplicativos em nuvem, baseados na linguagem Ruby e Java, comprada pela Salesforce.com para prover serviços aos clientes”, assinala Perezyera.
Além disso, a organização conta com uma loja virtual, parecida com o iTunes, da Apple, batizada de AppExchange, que reúne aplicativos criados por desenvolvedores em Force.com para facilitar a rotina corporativa. Há aplicativos pagos e gratuitos, muitos deles de nicho, que se integram aos sistemas da Salesforce.com.

“Em razão das megatendências do mercado de TI [redes sociais, mobilidade e cloud], acreditamos que PaaS vai deslanchar, já que todos os aplicativos do mundo serão desenvolvidos na nuvem. Em um futuro próximo, cloud computing vai perder o ‘computing’ e cloud será o modelo padrão do mercado”, acredita. Para ele, organizações não vão mais comprar servidores, bancos de dados e outras tecnologias. Os data centers, que vão prover serviços em cloud, ficarão encarregados dessa tarefa.

Na opinião do executivo, o modelo PaaS traz oportunidades para desenvolvedores e empresas de nuvem. “É possível acelerar a criação de soluções e reduzir os custos”, destaca. Ele diz que com o Force.com, por exemplo, um profissional pode desenvolver cinco vezes mais rapidamente, utilizando metade do investimento, se comparado ao uso da linguagem .NET.

Olhando um pouquinho mais à frente, a Tivit apresenta o pulo do gato na modalidade PaaS com o Business Process como serviço, o BPS. “É nossa arma, pois acelera a entrada do produto no mercado e impulsiona a atuação”, revela Fabiano Droguetti, diretor de Soluções e Tecnologia da Tivit. Muito além da esteira tradicional de desenvolvimento, que é o PaaS, Droguetti tira da manga a experiência de longa data no modelo e, portanto, salta para o patamar de oferecimento de plataforma de processos de desenvolvimento. “Oferecemos também, claro, a plataforma de desenvolvimento de desenho do aplicativo. Mas fomos além.”

Ainda não é o ano do PaaS, na visão de Droguetti. No entanto, ele diz observar o amadurecimento dos modelos comerciais na modalidade. “A maior aceitação é uma questão de pouco tempo”, estima.

O executivo da Tivit lembra que essa modalidade abriga um público-alvo mais especializado, diferente daquele que se interessa por SaaS e IaaS. “As ofertas de SaaS hoje são muito mais vapor do que realidade. É preciso ter um leque mais variado de aplicações e o PaaS irá alimentá-la”, explica e alerta: “Irá surgir uma nova linha de aplicações, voltada especificamente para ser vendida no modelo SaaS. Para que os aplicativos possam ser comercializados por hora, dias etc. Serão modulares e assim farão com que os usuários desfrutem ao máximo desse modelo”. 

Correndo por fora, bem ali, na baia ao lado, está a Go2neXt. A empresa atua em toda a cadeia de cloud, fazendo parceria com os fornecedores e integrando soluções para usuários. “Afinal, entre o provedor e o usuário do modelo de nuvem há um gap muito grande. Os clientes de cloud precisam de ajuda para adaptar o legado e acelerar a adoção com segurança. É aí que entramos. Mas atuamos mais do lado corporativo”, afirma Paulo Pichini, CEO da Go2neXt.

O executivo diz ter a operação ainda muito apoiada em serviços tradicionais de TI, mas cloud já representa 20% da receita da companhia. “Os pacotes que são oferecidos hoje não têm muito valor agregado. É justamente o que fazemos: adicionamos colaboração, gerenciamento, ERP entre outros valores”, descreve.
Uma das linhas de negócio da organização é o laboratório de desenvolvimento e testes e preparação da solução para ingressar no mundo da nuvem. “É muito interessante, mas a demanda ainda é tímida”, diz o executivo para quem a modalidade PaaS ainda irá crescer muito em solo nacional.
Com atuação diferenciada na cadeia de negócios PaaS, também está a Lumis, com o Lumis Cloud, plataforma que ingressou na nuvem  em abril deste ano. No modelo tradicional, a solução atingia apenas grandes empresas e como plataforma como serviço estendeu-se às médias.

O modelo de comercialização é operado exclusivamente por meio da rede de parceiros, composta por ISVs. “Eles é quem levam a solução ao cliente, pois essa modalidade exige customização, orientação e suporte. Desenham a plataforma na nuvem para o usuário, customizam e a colocam no ar para o cliente”, diz Rafael Saavedra, gerente de Marketing e Novos Negócios da Lumis. Parceira da Amazon, desde o ano passado, no modelo de plataforma, a Lumis diz-se preparada para a demanda que estima aumentar em 2013.

Edgar Silva, gerente de pré-vendas da Red Hat Brasil, revela que entre 12% e 15% da base de clientes da Red Hat em solo nacional está em busca de uma estratégia de PaaS, com destaque para o setor de telecomunicações. “Queremos conquistar 50% dos usuários da Red Hat. Ao mostrar os benefícios, que incluem redução de custos e aceleração do time to market, podemos até superar a marca”, avalia.

A procura pela modalidade deve ganhar força em 2013 e a companhia movimenta-se para conquistar fatia significativa desse mercado. “Faturamos 1 bilhão de dólares no último ano fiscal  e temos o objetivo de chegar a 3 bilhões de dólares em pouco tempo. Grande parte desse crescimento está apoiado em cloud computing”, afirma.

Para reforçar o posicionamento e evoluir a oferta, comprou em 2010 a Makara, startup norte-americana de PaaS. “Transformamos a solução em open source. Qualquer pessoa pode acessar o site do OpenShift, baixar a aplicação e desenvolver na nuvem”, assinala. Ele explica que é preciso pagar uma taxa de subscrição. A solução roda na Amazon, mas o usuário pode escolher outro provedor.

Com a estratégia totalmente voltada para cloud computing, a Globalweb contará com um portal de autoatendimento para micro e pequenas empresas desenvolverem e vender soluções de nicho. “PaaS é uma das ofertas e vai dar a possibilidade de adquirir software e infraestrutura para desenvolvimento na nuvem”, explica. 

A criação pode ser realizada em diversas linguagens de programação, como Java, .NET e Azure, completa. A empresa tem data centers para suportar a operação, 11 deles localizados nos Estados Unidos, fruto da parceria com a Coresite.

As grandes estrelas do portal, e aditivos da estratégia, serão os ISVs, de acordo com o executivo. “Estamos selecionando desenvolvedores para diferentes verticais para que eles possam criar, integrar e comercializar a solução em nosso portal. Temos mais de 500 cadastrados e mais de cem que já estão aptos a iniciar os negócios”, detalha Cleber Gomes, diretor de operações da Globalweb. “Trata-se de um verdadeiro self-service e os clientes poderão ser atendidos de forma personalizada”, destaca o executivo.

Segundo ele, a aposta nesse portal é alta. “Contratamos cerca de 40 pessoas para atuar exclusivamente no site. No longo prazo, esperamos que PaaS represente entre 40% e 60% da nossa receita”, avalia.

Para ele, o grande atrativo do modelo é a possibilidade de focar nos negócios, passando para quem entende a gestão da tecnologia. “PaaS entrega confiabilidade e segurança, possibilitando rápido crescimento com investimento reduzido”, comenta.

Atualmente, diz, a companhia tem cerca de 400 clientes de PaaS, mas com o portal, e o aquecimento do setor, a ideia é chegar a milhares. A maioria das aplicações desenvolvidas, contabiliza, foi para a vertical turismo.

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